quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Ciclo sem fim

Desigualdade,
Baixa renda,
Vítimas do capitalismo,
Injustiçados da sociedade.

É todo proletariado,
Que trabalha e não dorme,
E se der ainda estuda,
É o que vende a janta para fazer a marmita,
Aquela que em dez minutos é devorada,
Ainda caberia mais.

Guarda o troco porque não sabe se vai receber de novo,
Se vai vir o mesmo valor,
Se não haverá alguma razão qualquer para ser demitido.

Paga a dívida hoje,
Amanhã não tem pra pagar a luz,
Luz?
Seria se não fosse vítima do dinheiro,
Se não vivesse para isso,
Seria se pudesse viver sem essa agonia.

Esqueceram o que é vida,
Os pobres vivem para sobreviver,
Para alimentar o bucho dos grandões,
Que o manipula sem dó,
E todos os outros.

Ninguém percebe,
Disfarça,
Deixa guardado, entalado todo esse desgosto,
Chega sábado é só alegria,
Pode não viajar de avião,
Ou ir para praia,
Muito menos pagar todas as contas.

Mas tem o mínimo de liberdade,
Mesmo que o sono não seja tão tranquilo,
Tem o amor de quem precisa,
Tranquiliza-se com o que tem de mais precioso,
Que certamente não é o dinheiro,
E dorme temendo a segunda,
Onde tudo recomeça.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Não deixe

Não deixe que o medo consuma sua alma,
Quando do que mais precisar for fé,
Não deixe seus amigos,
Muito menos a família que cuida tanto de ti.

Não deixe que uma chuva estrague seu domingo,
Se a água é o bem do planeta,
Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje.

Não deixe suas responsabilidades de lado,
Aquelas que te ajudam a crescer,
Não deixe seus sonhos,
Sua busca,
Não deixe sua voz morrer.

Não deixe o amor para amanhã,
Se hoje ele está do seu lado,
Não deixe de viver feliz,
Mesmo quando tudo parecer errado.

Deixe que a paz te fortaleça,
Quando tudo for caos,
Deixe de lado o que não acrescenta,
Deixe,
Só não deixe,
O que te impedir de deixar você,
Ser você.




   Deixe sua alma florescer e encantar o mundo a sua volta...


sábado, 14 de outubro de 2017

Coração da alma

Minhas loucuras,
Meus deslizes,
São meros acasos,
Causados pela ausência,
Do contato com a arte,
Que faz tudo ter sentido.

É como se os pés descalços no palco,
Me ligassem ao mundo,
E toda a máquina,
Chamada eu,
Começasse a andar.

Sem isso,
Perco o sentido a cada instante,
Mesmo que negue a falta.

Tudo bem,
Um dia volta...

Se não volta desapareço,
Enlouqueço volta e meia,
Perco o rumo,
Até o endereço.

Teatro para mim é o destino,
O passado e o futuro que estão presentes,
Inexplicável conexão,
Que em algum dia permiti ocorrer.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Divida a dívida

Dívida,
Algo que deve,
Peso, valor que pegou e não devolveu,
Dinheiro, favor,
Materialmente falando,
E se não for é tratado como tal.

Divida,
Tudo o que tens,
Ou uma bala, um abraço, um almoço,
Divida com alguma vida o que transborda em você,
O que é tanto que pode ser multiplicado,
Ou o pouco que possa ser aumentado.

Um acento no i que carrega o peso,
Dever ou multiplicar,
Se ele fosse extinto,
Quem sabe dividiríamos mais que devíamos,
Ou quem sabe dívida é só algo que foi dividido depois cobrado,
Como uma gentileza capitalista,
Você doa,
E quem recebe te deve.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Acelera o pulso, tranquiliza a alma

Palpita,
Pulsa no peito, nas pernas e nos braços,
Corroe e emociona se não busco,
Não estimulo,
Minha ânsia por atuar,
Necessidade,
Prazer.

É puro desafio,
Não sou a melhor,
Minha vontade se sobrepõe a tudo,
E toda vez que ela fica em segundo plano,
Por tudo que a vida impõe,
Morre uma parte de mim,
Não tenho paciência para amanhã,
Quero hoje me encontrar no que amo.

Sinto a luta da sociedade,
E todo esse infeliz ciclo,
Sinto as mentes fechadas, travadas,
Tudo o que mais quero é abri-lás,
Mostrar o horizonte que existe se souberem ver,
Acreditar,
Só não sei como se nem consigo realizar.

E mesmo que fique distante por um tempo,
Fecho os olhos e continuo a imaginar,
O burburinho da plateia,
A correria mas coxias,
O camarim,
Concentração,
Acelera o coração,
E enfim,
A vida nasce nos palcos,
Permanecendo na vida de quem permitir.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A luz vive dentro de você

Mesmo que se equilibre,
Que ignore,
A vida sufoca.

Sufoca o peito de quem se sente oprimido,
Pelo poder,
Por tudo que está fora do nosso alcance,
Uma hora é impossível engolir,
Acaba sufocado por tudo que não soube resolver.

Além disso,
Existe toda uma energia querendo se expandir,
Lutar pelos sonhos,
Desenvolver os talentos,
Ser tudo o que sempre quis,
Que não conseguiu ser.

Mas não é tão simples,
Muitas vezes é como se corresse para quando chegar na linha de chegada,
Haver o caminho percorrido multiplicado por cem,
Somado com montanhas, mares, tempestades para atravessar.

Nesse momento você se sente pequeno,
Esmagado e insignificante,
Perde a paciência que cultivou até então.

Só que não basta,
Não é suficiente treinar para perder a guerra,
Não é justo consigo mesmo,
É exagero, ridículo,
Todo seu sofrimento é minúsculo,
Quando se olha para o lado.

Se for observar esse aspecto então,
O mundo está acabado,
Só há o que lamentar.

Isso é fraco,
É pouco, inútil,
Ser mais uma vítima da vida.

É preciso sentir o que há dentro de nós,
Que tantos cultivam e acreditam,
Se todo o mal e dificuldade é capaz de te esmagar,
Encontre um refúgio,
O bem não está longe.

Busque dentro de ti,
Se houver encontrará nos outros,
Todo o amor que você plantou,
Volta para ti e dá forças para seguir.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Se sente, reaja

Sinto a juventude,
A alegria e esperança que é viver,
O quão difícil é crescer,
O quão prazeroso é,
E toda a intensidade.

Sinto o proletariado,
A população de baixa renda,
Os trabalhadores que lutam pra comprar o ar que respiram,
As injustiças,
O quanto o topo da pirâmide explora quem tá embaixo.

Sinto a arte que pulsa forte,
Não só no meu peito,
Mas na alma de tantos brasileiros que acabam oprimindo suas capacidades,
A importância da cultura e o quanto sofremos para ter o mínimo de espaço.

Sinto tudo mesmo que não sinta nada,
Sinto na prática o que achava saber,
Como Osho disse, só conhecemos a verdade se a vivenciamos,
A verdade dos outros para nós é uma mentira.

Então que viva cada segundo,
Descubra todas as verdades,
Que elas sejam motivo para algum impulso renovador,
Que paremos com nossas caras chatas,
Saindo desse ciclo sem fim,
Afinal somos únicos,
Que façamos disso alguma diferença útil.